Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer!

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Raymundo é chamado ao Hospital São Lucas, onde há um rapaz em coma faz dois anos. Os médicos discutem a validade de preservar-lhe a vida. Raymundo entra no quarto e, sentindo compaixão, dá um beijo da testa do rapaz, que acorda imediatamente. “Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer!”

21 de fevereiro de 2009

Na manhã do dia 19 de fevereiro, recebi o chamado de uma pessoa do Hospital São Lucas, dizendo-me que havia ali um rapaz em coma há quase dois anos, e que a equipe médica, desanimada, parecia se questionar sobre validade de preservar a sua vida. Eu não tinha como ir ao hospital, mas a Geny, minha esposa, prontificou-se a me levar.

Lá chegando, a Geny ficou me esperando no carro, enquanto fui ver o paciente. No seu quarto, deparei-me com uma cena patética. Um rapaz muito magro desacordado, e num canto do quarto algumas enfermeiras e, me parece, um médico discutindo algo que não compreendi. Fiquei muito sem jeito, porque não conhecia ninguém. Uma pessoa chegou perto de mim e perguntou:

–  O senhor conhece o doente?

– Não, fui chamado aqui acho que por uma parente dele – respondi.

Ao me aproximar do rapaz, senti muita pena dele e fiz uma coisa que nunca faço: dei-lhe um beijo na testa. Na mesma hora o rapaz acordou, olhou para mim e disse:

– Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer!

As pessoas então me perguntaram:

– O que você fez?!…

– Não fiz nada, apenas dei um beijo nele…

Elas ficaram surpresas e deixaram bem claro que aquilo que acontecera não era absolutamente um milagre, pois me contaram que às vezes as pessoas entram em coma e no seu cérebro fica registrada uma vontade. Aquela do rapaz seria o caso, a vontade de um beijo ou coisa parecida de um de seus parentes, porque ele era vítima de um tombo de motocicleta. Resumindo, era um desejo que estava registrado no cérebro do rapaz, não precisamente na hora do acidente, mas em outra época, segundo eles. E ainda me disseram:

– A psicanálise explica muito bem isso.

Eles então ficaram por conta do rapaz e se esqueceram de mim. Desci, mas um médico me acompanhou, porque estava muito interessado no que acabara de acontecer, e me dizia que trabalhava no hospital.

Despedi-me dele, entrei no carro e fui embora.

Dias depois, a Fátima Araújo, de Guarapuava, me chamou a atenção para a frase do rapaz. Era a mesma de Jesus na figura de um mendigo, na porta da Capela Magnificat.

 

Referência: LOPES, Raymundo. Estou com fome, muita fome, me dê algo para comer! In: LEMBI, Francisco (Comp.). Raymundo Lopes, Daniel: Uma incógnita dos finais dos tempos. Belo Horizonte: Magnificat, 2010. p. 107.

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